A PEDRA DE TOQUE OU PRINCÍPIOS DOS FILÓSOFOS

by Immanuel

Que devem servir de regra para a obra

I
A natureza deixou alguns seres imperfeitos, pois não formou a pedra, mas apenas sua matéria que, de fato, não pode fazer o que faz a pedra depois de sua preparação, porque se encontra impedida por obstáculos acidentais.

II
A substância que se busca é a mesma coisa que aquela de onde ela deve ser extraída.

III
Essa identidade é específica, ou seja, existe apenas em relação à espécie; não é particular ou numérica.

IV
Da unidade extraí o número ternário e retornai o número ternário à unidade.

V
Toda coisa seca bebe seu úmido.

VI
Não há outra água permanente senão aquela que é seca e se adere aos corpos, de modo que, se ela foge, os corpos fogem com ela e ela os segue se eles fogem.

VII
Quem ignora o meio de destruir os corpos também ignora o meio de produzi-los.

VIII
Todas as coisas que se dissolvem pelo calor se coagulam com o frio e vice-versa.

IX
A Natureza se regozija em sua natureza, a Natureza melhora a natureza e a leva à sua perfeição.

X
É necessário, para a conservação do universo, que cada coisa deseje e busque a perpetuidade de sua espécie.

XI
Nas produções físicas perfeitas, os efeitos são semelhantes e conformes à causa particular que os produz.

XII
Não é possível haver geração sem corrupção e, em nossa obra, a corrupção e a geração são impossíveis sem o céu filosófico.

XIII
A menos que intervenhais na ordem da Natureza, não engendrareis o ouro, a menos que tenha sido previamente prata.

XIV
A dissolução dos corpos é a mesma coisa que sua coagulação, se considerarmos apenas o menstruo e o momento da dissolução.

XV
Se dissipastes e perdestes o verdor do mercúrio e o rubor do enxofre, perdestes a alma da Pedra.

XVI
Em nossa obra, nada estranho entra; ela não admite nem recebe nada que venha de outra parte.

XVII
As soluções filosóficas evitam, ao corpo dissolvido, suas impurezas naturais, que não podem ser tornadas sensíveis por nenhum outro meio.

XVIII
Todo agente exige uma matéria preparada; por essa razão, um homem não pode gerar com uma mulher morta.

XIX
Na obra, a fêmea dissolve o macho e o macho coagula a fêmea.

XX
O mercúrio dos filósofos é seu composto muito secreto, ou seu Adão, que carrega e esconde em seu corpo Eva, sua mulher, a qual é invisível; mas quando chega ao branco, esta se torna macho.

XXI
Os filósofos disseram sabiamente que o mercúrio contém tudo o que faz o objeto da busca dos sábios.

XXII
Que vosso calor seja contínuo, vaporoso, digerente, circundante e que seja conduzido por meio de um agente.

XXIII
Tomai cuidado com a ordem em que aparecem as cores críticas, para que uma não preceda a outra e que cada uma se apresente em seu devido tempo.

XXIV
Essas cores críticas são quatro: o negro e o branco, o citrino e o vermelho perfeito. Alguns filósofos lhes deram o nome de elementos.

XXV
Se a cor branca preceder a negra, falhastes no regime do fogo, e se o vermelho aparecer antes do citrino, isso indica uma secura excessiva da matéria.

XXVI
Tomai o maior cuidado para que a negrura não apareça duas vezes: quando os corvos voarem uma vez de seu ninho, não devem mais voltar a ele.

XXVII
Tomai também cuidado para que não se rompa a casca do ovo, que não se rache e não deixe passar o ar; do contrário, nada de bom fareis.

XXVIII
O fermento não é composto senão de sua própria massa; assim, não mistureis o branco com o vermelho, nem o vermelho com o branco.

XXIX
Se não tingirdes o mercúrio, ele não tingirá.

XXX
É preciso que os corpos ou metais inferiores, que se deseja transmutar em ouro ou prata por projeção, estejam vivos e animados.

XXXI
Quanto mais perfeitos forem os corpos, mais receberão e se carregarão de tintura.

XXXII
Se a pedra não for fermentada pelo menos duas vezes, não poderá dominar ou subjugar o mercúrio dos corpos e transformá-lo em sua natureza.

XXXIII
Se for usada demasiada tintura na projeção, o corpo inferior se tornará demasiadamente fixo e não poderá entrar em fusão; se houver tintura insuficiente, ele apenas se tingirá fracamente.

XXXIV
Nossa pedra, antes de ser capaz de tingir os metais, expulsa as doenças de seu gênero, proporcionais ao grau de perfeição que adquiriu.

XXXV
Quando atinge uma brancura fixa e permanente, cura as doenças lunares, e quando está vermelha, as doenças solares. Mas, preparada de uma ou outra forma, as doenças astrais resistem, pois estão absolutamente submetidas à fatalidade.

XXXVI
Os sábios, afastando os profanos, admitirão apenas os eleitos em seus mistérios sagrados; uma vez que possuam este raro presente da sabedoria divina, darão graças ao Ser Supremo e se colocarão todos sob o estandarte de Harpócrates.